ervadosprados1

E venha chovere! Escampa umas horas o dia e velai volve auga gorda ou miúda, chuva decote. No fim-de-semana andei no monte aberto por mor de ver a desfeita do vento há pela volta de três semanas: com a força dos refachos partiram toradas das àrvores menos abrigadas. De caminho baixei a um erval que fica rilheiro abaixo, cabo dumas fontes que, doutrora, sendo eu rapaz, muito, muito rapaz, besbelho no albor da minha infância, quando confundia as bogas verdes dos ranhos com abrunhos, tinham sona de terem a água mais fresca da redonda (no monte aberto, que para mim era um mundo inteiro) e, pelo visto, era onde algum tempo iam à água para beber as rogas das roças. Foi ali que escutei, também daquela, ao longe, mas com força abundo para ficar para sempre, agruar, agruar de verdade, como suponho hoje é practicamente impossível escutar. Agruar por ter trabalho acabado, agruar de volta da jeira, no lusco-fusco. Agruar natural, vivo, hoje em dia mais comummente escutado na música tradicional ou, em cadência com deixe, nos filmes americanos de temática do oeste; berro atávico que chega a mim mais uma vez e me produz uma dificilmente explicável sensação neste mesmo momento de escrever, como se o volvera escutar de novo.

Pensei também naquele agru quando ia caminho do erval, com menos emoção, devo reconhecer, igual influi um pouco o tempo nestas cousas, ou é que na beira dos tojos e as urzes, ao reparar no peiçoque, o som humano me pareceu menos relevante. Ao chegar ao erval, velali a erva-dos-prados a florescer e, nantre ela, nas poças cativas da chuva e da água ressumada da terra, borbulhava por vezes a água apoçada. Como pode ser? Água que não corre não tem fervença, não sendo a nascente na fonte apresada. Mais de perto e não sem ter que atender bem, velai estavam, os cágados da rã a açanicarem o rabo.

Mais adiante, numa outra poça bem cativa, estranhou-me ver cágados de sabandixa, mais amigas de poças a beberem de água mais estável, estanca sim, mas abeirada a uma fonte ou curso de água permanente.

Aginha deu em chuviscar. E cavilei que não iam tão desencaminhados os cágados. Se continua a chover assim, podem bem chegar a um sabandixicamente paradisíaco goio cativo onde fica a água apresada, na primeira revolta dum regueiro pela beira do arrô do valado que parte a chousa do erval da chousa do rilheiro que linda com o caminho do pastizal de par do carreiro por onde corre o regacho que vai da silvarredonda cara às Dornas. Todo o anaco, que será de por ai três passos, … a nado!

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