Chove. É noitinha. Releio o centão de Xurxo C. e cavilo na tradução, no facto de buscar a forma que melhor represente um significado.

Há expressões que me aprenderam de cativo e me volvem ao acordo às vezes ao traduzir.

Assim me aconteceu com uma canção da que tive notícia na página FB de Mark Knopfler a primeiros de ano.

Não tem dificuldade nenhuma, inglês “beside”, hoje em dia emprego muito frequentemente ‘junto a’ ou ‘a carão de’, que reproduzem bem o significado desta preposição. Reparei em que levo tempo sem usar uma frase preposicional que tinha por muito comum doutrora. Devem ser os anos sem escutá-la, muito é também que tanto estranho e tenho suidás às vezes dessas pessoas que mais me aprenderam a falar esta língua nossa… como era que diziamos acô? Vir ‘a pa’ de alguém? Tem o significado de ‘ir a cabo de’ alguém. É forma que apenas escutei num nível muito local, noutros falantes de galego é comum ‘a pé de’. Não obstante, ainda que significam o mesmo, parecem ter origem distinta. Num caso, ‘a pa de’, redução de ‘a par de’ (perda da vibrante como sucede com a preposição para >[pra]> [pa]). No outro, é óbvio que se corresponde com ‘ao pé de’, o seu significado aparece mais claro, motivo pelo qual é a escolha para a presente tradução.

O tempo, o centão, a canção… o caso é que me vem a morrinha. De quem ama o idioma e a música de nosso; da lei e devoção à terra; da ânsia de viajar e conhecer e topar um mesmo no distinto; de quem, como Deus-a-tenha-no-céu a minha avó, sinta que ‘fala como a nossa não a há’; do galego bem falado; e, com esta água, a tal hora, dos dias de sol. Que hão de volver, ho! Algum dia!

Se me toca a lotaria marcho para uma ilha tropical a ver se desamorrinho mais aginha! Para Agalega island, por exemplo 🙂

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Quando deixe este mundo atrás

Para um outro hei-de-marchar

E se não há gaitas no céu

Para mais embaixo hei baixar.

……………..

Se os amigos se apartam no tempo

Algum dia havemos volver bater

Volverei para te nunca mais deixar

Hei ser um gaiteiro até o fim

……………..

Este foi um dia como para morrer

Agora que o dia já é quase acabado

Alô enriba um coro de aves marinhas

Vira de fronte cara ao sol-pôr

……………..

Agora que o lusco-fusco chama

E todas as piniqueiras são de vermelho ardente

E antes de que a noite venha caindo

As nuvens vão bordadas com linhas douradas

……………..

Vimos as cachelas juntos

Compartimos os nossos quartos por um tempo

Andamos as corredoiras poeirentas juntos

Caminhamos tantas léguas

……………..

Este foi um dia como para ter finado

Agora que o dia é quase acabado

Acô as gaitas hão de estar a pé de mim

Em silêncio ficará o tamboril.

……………..

Se os amigos se apartam no tempo

Algum dia acô havemos volver bater

Volverei para te nunca mais deixar

Hei ser um gaiteiro até o fim.


Vídeo e letras para a tradução

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